Tantas vezes falei de amor
e da pureza de um coração aberto
a lançar chamas para a raiz dos lábios.
Tantas vezes falei de uma artéria pulsante
que me atravessa a língua e mapeia a boca
como lava incandescente a queimar beijos.
Tantas vezes entrei no comboio das cinco
passageira alheada em sonhos meus e teus...
E viajámos por mundos infinitos
tão distantes,
imaculadamente brancos,
onde o negro era impensado
e a música das nossas almas
não permitia entoar silêncios.
Agora entardeceram os sonhos
as metáforas esconderam-se timidamente
atrás do poema
como se fosse pecado serem descodificadas.
Contudo,
pressinto um tremor gigante na ponta dos dedos...
e tanto rio a galgar as margens...
(eu)
Imagem - Santiago Carbonell




