sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Inquietação


Há uma voz ameaçadora
que me cega o peito,
há um querer ver 
para além dos olhos
o pó que transporta o vento.

Há um crescer da fome 
com que os lábios sangram 
ao toque do beijo,
sempre que vejo, 
hastes que me saem do ventre
e se elevam ao céu 
em suplicas de ansiedade.

Quando a última lua 
se abrir nos meus olhos,
contar-te-ei a verdadeira cor das estrelas
e nelas pousaremos as mãos repletas de vida.

Unidos semearemos bondade,
da terra eliminaremos o desalento.

Tu serás o pó, eu serei o vento...




(eu)


Imagem- Lauri Blank

16 comentários:

  1. Respostas
    1. Grata Piedade pelo carinho da leitura...
      Beijinho meu.

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  2. Um poema feito de uma inquietação que anseia, para além do próprio olhar,
    o encontro com o pó que ele virá a ser,sempre no vento no qual ela, etérea,
    se transformará.
    Elementos da Natureza, Terra e Ar, unidos para sempre num arrebatamento
    de fome nos lábios, e como se de um ventre saíssem para sempre hastes de
    vida que se acolhem nas mãos; frutos do Bem e da Bondade.
    Diria que só a arte (neste caso, a poesia), e o Amor, conseguem desafiar a morte.
    Não sei se entendi bem, mas foi assim que li.
    Parabéns, Cristina! Um poema tão para além da superfície...
    xx

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  3. Grata Laura, pela tua leitura. Entendeste na perfeição, embora eu própria muitas vezes fique na dúvida em relação ao que pretendo transmitir. Isto é, muitas vezes, ou a maior parte das vezes, encontro várias possibilidades de leitura para aquilo que escrevo.
    Mas também não me questiono muito. Fico contente quando me emociono e consigo transmitir emoção...
    Beijinho de gratidão....

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    Respostas
    1. É verdade, nem sempre quando escrevemos sabemos o que iremos transmitir, porque no fundo, só se escreve em poesia o que
      se sente, e não com o intuito de transmitir alguma coisa. O grande poema é sempre feito para nós, e quando é, os outros podem
      com esse poema identificar-se, ou pelo menos, entendê-lo.
      E sem dúvida, as interpretações podem sempre ser múltiplas!
      A tua emoção é enorme, e desperta sempre a minha.
      Obrigada pela resposta, Cristina.
      xx

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  4. O olhar circundante, a necessidade de fazer algo, sempre em partilha...
    Sempre belo, Cristina!

    Um beijinho :)

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  5. Poxa... Poema belíssimo, Cristina, emocionante. Descreveste com fidelidade esse estado de inquietação que por vezes nos toma, interagindo com a vida, esse turbilhão diário de emoções. Com riqueza de detalhes, empreendo em cada palavra um significado vario, uma verdadeira pintura com palavras. Uma beleza que transcende a forma imediata e provoca a sensibilidade, emociona de forma impactante o leitor. Belo, belo, belo... Parabéns!

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  6. Oi Cristina!
    Lindo demais!
    Poesia romântica e profundamente emocionante!
    Felicidades para você!

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  7. A inquietação que o amor nos traz, num poema muito belo.
    Beijo.

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  8. Boa noite, Cristina.
    Espalhar a bondade, retirando toda a maldade humana é a inquietação da maioria das pessoas que desejam veementemente uma solução para o extermínio da maldade.
    Somente pessoas que andam juntas poderão extirpar, ao menos no coração, tanta maldade e lutar para que a rara bondade seja uma qualidade comum ao homem.
    Tenha uma semana de paz.
    Beijos na alma.
    Parabéns.

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  9. O amor eterno não teme a morte...
    Um poema brilhante, onde as emoções nos são transmitidas com belas imagens poéticas.
    Gostei muito, parabéns pelo teu enorme talento.
    Tem uma boa semana, querida amiga Cristina.
    Beijo.

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  10. Fusão maravilhosa da poesia com o amor.
    Cadinho RoCo

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  11. Um poema que começa em ameaça mas acaba muito bem semeando bandade.
    Gostei.
    Abraço.
    Peregrino E Servo.

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  12. Belo pela poética, profundo pela mensagem.
    Sair de nós para alimentar o outro...
    Parabéns!
    Bjo, Cristina :)

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  13. Olá Cristina ,

    É um Prazer Enorme aqui vir e ler os seus Poemas ... existe sempre uma Magia ternurenta que emana do Ser ... Gostei muito , muito ...

    Um Beijinho

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