Como dói este silêncio
que gravita em redor da minha boca.
Meus olhos calados, seguem passos
em busca de memórias veladas
ousadamente guardadas
naquela casa acabada de ruir
sobre meu corpo quase inerte.
Não me perguntes onde desabou
o sorriso que me perseguia em delírio,
não me obrigues a desobedecer ao chamamento
das águas que pretendem diluir a minha voz.
É premente que assim aconteça!
Pudesse eu regressar ao aconchego do útero
e impedir que a larva criasse asas,
todas as vozes ficariam silenciadas
e nenhum vulto ensombraria esta pálida existência.
Para quê fustigar o sangue?
Se o corpo permanece derramado no chão.
Tudo em mim continua adormecido
excepto eu!
(eu)




