Talvez os olhos lhe brilhassem como diamantes e nos lábios se desenhasse um convite implícito, a que ele não conseguiu resistir quando ela inclinou a cabeça e o fixou nos olhos como se estivesse a inquirir-lhe a alma.
Por impulso ou não, como que atraído por uma força que só o amor pode explicar, aproximou seu rosto do dela, na urgência de a beijar.
O momento era aquele... e, só aquele...
Ela corou, surpreendida com o à vontade daquele gesto, tão genuíno e ímpar do seu amado, que por momentos esqueceu o resto do mundo, existindo para ele, apenas aquele sorriso que o trespassava.
O café soube-lhe melhor que noutro dia qualquer. Naquele instante, a sensação de plenitude foi de tal forma grandiosa, que até esqueceram o troco em cima do balcão.
Ás vezes há dias assim...em que o sol resolve aquecer-nos a alma e sentimos o corpo emergir do vazio, como uma pomba branca a sobrevoar o céu.
Ele sabe, ele sabe bem... que a dúvida dela, é sobre a cor que emana do seu olhar. Mas naquele momento ele viu mais... muito mais! Ele conseguiu ver o amor a fluir nos seus lábios, pintados com a cor da inocência e sentiu o pulsar estrondoso do seu coração.
Às vezes há dias assim, em que o mundo nos parece perfumado de rosas, tornando-nos tão imensos, que somos capazes de interiorizar todo o universo.
Quanto pode valer um café? Às vezes um sopro de vida...quem sabe...
(eu)