Hoje grito-te o meu amor
meu homem
meu príncipe
meu amado
meu amante
ladrão errante
deste coração dilacerado
ah!,...como eu te amo!
Bebeste-me o sangue
o fel
a saliva
a linfa
tudo o que em mim havia
contigo foi partilhado.
Caíste a meus pés e idolatraste-me
como deusa
entregaste-me o corpo
e eu beijei-te
os olhos
os lábios
o peito
o ventre
e em troca dei-te o meu poema.
ah!,...como eu te amo!
Desfolhaste -me
os versos
trocaste as letras
inverteste as sílabas
sugaste-lhes a alma
tão ávido estavas
das minhas rimas.
ah!,...como eu te amo!
No meu livro em branco
deixaste sementes da tua poesia
quiseste-me nua
despojada
sensitiva
airosa
e num acto de amor
escreveste um poema
chamado
Vida.
ah!...como eu te amo...
Imagem- Darren Hopes




