domingo, 6 de maio de 2012

À Espera de Ti




Oiço o murmúrio de um gemido...
Tangendo suavemente a minha pele arrepiada

Teus lábios roçam-me o corpo.
Soltam-se beijos da tua boca (entre)aberta,
Como que a sorver dos meus poros
O néctar suave, servido no manjar dos deuses. 

Ambrósia que te dá vida, 
Na eternidade deste amor em que te fazes renascer
Epicuro, à procura do caos
Em meu corpo vivo, que te é vida e túmulo... dos hereges,
Donde absorves sofregamente
O cheiro da areia quente.
Diz-me: 
Porque te demoras?

(eu)

Para Ti Mãe




Minha mãe!
Assim fosse o teu corpo
O regaço que procuro
Nos sonhos que me acontecem,
E os teus braços o aconchego
Do meu doce acordar.

O tempo passou!
Eu perdi a inocência e o medo
E tu os laços.... com que me prendias os cabelos.

Hoje mãe!
Quero perpetuar os laços do nosso amor,
Um dia, todas as palavras
Serão insignificantes
E às memórias dos tempos idos
Interpor-se-á a saudade.

Por isso minha mãe!
Agora que ainda oiço 
O murmurar da tua voz,
Ainda sinto e vejo 
A luz que se acende dentro de ti,
Quero afagar esse coração que me é eterno
E dizer-te com candura
O quanto te amo...
Mãe...minha mãe!
(eu) 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Insana Paixão



Apareces-me! 
Na tua esdrúxula
Forma de amar. 
Sigo-te os passos, 
Embora saiba louco 
O compasso ritmado
E percutido 
Da tua insana paixão.
Lanças-me um olhar 
E apertas-me nos braços,
Espalmas-te em mim
Sem deixares espaços.
Unes tua boca à minha
E deixas-me sem ar.
Perante o meu espanto,
E no silêncio branco
Que se sente pairar,
Perguntas-me: 
Porque vieste?

(eu)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sou



...e... a pouco e pouco, 
Vou sentindo na ponta dos dedos
As gotas de sol
Que entraram pelos poros 
Deste meu corpo ainda húmido d'orvalho
Na noite em que a lua se derreteu 
Sobre nós .
Olhei-te nos olhos... e através dos teus, 
Consegui ver a outra face do amor
(Aquela em que tudo é transparente).
Então pensei:
Será que ainda crês
Que os pássaros voam pra norte?
Senão diz-me:
Porque tentas descodificar-me a alma,
Se eu sou apenas isto: 
As palavras que escrevo.

(eu)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Nas Asas de um Pássaro Azul



Vieste até mim
Nas asas de um pássaro azul.
Transformaste o meu mundo em céu
E sopraste-me melodias angelicais.
Depois, na minha diáfana nudez d'alma
Tatuaste-te no meu corpo
E passaste a habitar na minha pele.

Como aroma vivo dentro de mim,
Suavemente, em cada dia, 
Exalavas aromas de rosa e jasmim.

A pouco e pouco, instalámo-nos
No nosso mundo.
Trazias no bolso penas azuis, do pássaro
Que te trouxe até mim.

Com elas construímos um ninho. 
E a primavera instalou-se nas nossas vidas
Em passos de dança, suaves mas ritmados.

Nasceram flores,
E os aromas intensificaram-se
Ao som romântico das músicas de Chopin.

Prelúdios intensos... mas muito breves.
A seguir, logo a seguir, ouvimos todas as baladas.
Hoje, embalados nas asas do pássaro azul,
Damos vida à mais bela sonata d'Amor.

(eu)