quinta-feira, 7 de março de 2013

Um Simples Poema


                                                                                                           daria endressen
Seduz-me a ideia 
de escrever para ti.

Pediste-me um poema.

E num livro cujo nome
não consigo nomear,
consagrei-te as páginas 
da minha vida.

Toma-o por inteiro
não tentes dividir-me a voz
nem o corpo nem a alma.

Nele 
passeiam veias
ardentes 
de sangue corrosivo.

Deflagraram
pelo teu corpo
e prenderam-te o nome.

Foi assim que aprendi a sonhar.

(eu)

quarta-feira, 6 de março de 2013

As Coisas que me Ensinas




Hoje entendi 
a simplicidade do amor.

Entendi que sentir a plenitude
só é possível,
se não nos detivermos em possibilidades
nem carregarmos o peso 
das coisas pequenas.

Não existe explicação possível
para todas as probabilidades.

Incauto é o sentimento que reconheces em ti,
sempre que afastares as sombras que te atormentam.

A luz retirada aos olhos que preferem se suicidar
é responsabilidade de quem esconde a verdade
por detrás do seu próprio rosto.

Que interessa se o sol nascer a poente?

ou se o poema morrer 
antes que se acendam todas as estrelas,
ou até renascer do eco das palavras?

Que importam os verbos conjugados 
no pretérito imaginando dias futuros?

Que importam todas as coisas 
se deixarmos as flores murcharem? 

Ah!...amor...
Esquecia-me de te dizer:

Hoje cortei todos os espinhos às rosas
e plantei amores-perfeitos no nosso jardim.

(eu)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sem Sombras




Todos os sonhos 
me pareceriam insuficientes,
não fosse esse lugar 
chamado ilusão,
antecipar-se ao nascimento 
de cada palavra retalhada
pela voz com que calo 
o meu silêncio.

Perguntar-me-às :
que sei eu, sobre o enigma do amor? 
como poderei saber de um sentimento 
tão sublime, se me fecho inteira
na essência com que tento cobrir
a minha sombra?


Então falar-te-ei:
do anonimato da pele com que revisto 
os meus desejos e os meus ensejos,
do esboço forçado do meu sorriso
em cada lágrima cristalizada na face.

Por acaso sabias,
que a torrente do amor 
se perfila ao sangue que me corre nas veias?
E que hoje,
o meu ventre se encheu de aromas
e grávida de vida, pari flores?

Por isso,o meu poema não vai sangrar!

Nenhuma ave nocturna se interporá 
às palavras que te trago, resgatadas
da fonte da vida...

Tudo o que era sombrio, Hades levou!


(eu)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Regressão




 


Se eu pudesse voltar a ser linda,

                                                  queria saber:

do meu primeiro sorriso,
do balbuciar da minha voz,
dos meus primeiros passos,
dos meus primeiros desenhos,
da minha primeira boneca,
do meu bibe cor de rosa.

Das minhas primeiras letras,
dos meus primeiros versos,
da solidão dos meus afectos,
do meu primeiro beijo

                                            e da culpa.

Da culpa com que desfiz as tranças
da culpa que senti
quando dentro de mim
o coração pulsou
no impulso do primeiro amor.

Se eu pudesse voltar a ser linda,

                                               queria saber:

da obediência exagerada,
dos amores reprimidos,
dos desejos recalcados,
dos segredos bem guardados,
dos momentos ignorados,
do amor que tenho para dar

                                                  e da culpa.

Da culpa de ter perdido os laços
da culpa dos embaraços
de sentir o que não sei dar.

Se ainda me achares linda.

Fala-me de tudo isto
e fala-me também

                                            da culpa.

Então,
só então,

                                 poderei


                                         pedir-te perdão!

(eu)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Talvez


    -daria endressen.





Hoje eu queria escrever
do outro lado da folha
                                     acorrentada

às palavras que desconheço
na misantropia de selváticos sentires.

Não há idioma que sobreviva
a uma língua

                                      golpeada

e impunemente atirada ao chão.

Talvez com o vento a folha se volte.

(eu)