Tudo em mim é antigo
ou movido a vapor...
Eu disse-te mãe,
não ser boa ideia,
pedir contas ao futuro.
Hoje rasurámos as palavras
e guardamos vestígios de silêncios
no fundo do peito.
Porém , reconheço esplendor
no som das nossas vozes.
As penas nas asas do voo
são cada vez mais escassas,
e os gestos enigmáticos
com que um dia me ofereceste o seio,
são um bálsamo
para a minha alma faminta.
Incomensuráveis
são os gestos de amor
onde guardo a ternura pulsante
da infância.
Despe o peito da vertigem dos dias chuvosos,
mãe...
E ama-me!!
Ama-me enquanto existirem rosas...
(eu)
Imagem- Natália Zakonova




