domingo, 9 de novembro de 2014

Parabéns para Mim



Há cinquenta e seis anos, também era Domingo.
Às três horas e quarenta e oito minutos - hora registada minuciosamente pelo pai- uma criança nascia, num quarto de uma casa , numa rua da cidade de Faro.
Era uma menina. Furaram-lhe as orelhas e chamaram-lhe Cristina.
Era eu.

Estou grata a Deus pela vida. Estou grata à vida por estes anos sem percalços.


Estou grata à minha mãe Celeste, por me ter posto no mundo, por me ter criado e cuidado com zelo.

Estou grata ao meu pai Manuel, por me ter feito sentir o poder do amor durante os 28 anos que estivemos juntos, por me ter mostrado o significado do carácter, da integridade e dos mais altos valores de um ser humano.


Estou-lhes imensamente grata, por me terem indicado caminhos, e, feito de mim, a pessoa que sou hoje.



Estou grata à família que criei: ao meu marido António, que comigo partilha muito mais que a vida, comigo partilha o Ser, há quase trinta e três anos, estou grata à minha filha Ana, estou grata ao meu filho António, estou grata à minha filha Teresa, estou grata à minha filha Beatriz , por todos os dias colorirem e perfumarem o jardim paradisíaco onde caminho, por darem sentido a este percurso, e, por serem a força que impulsiona o meu sorrir.



Estou grata a tudo e a todos, porque tudo e todos, fazem parte da minha existência...



Estou grata a esta menina que habita em mim, que me faz ver o mundo colorido, que acredita que o sol só se esconde para dormir, e que as fadas existem nos bosques...



Parabéns para mim, porque sim, e porque mereço...



(eu)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sem Titulo, mas com o Coração...




Foi neste lugar, que comecei a publicar o que ia escrevinhando, já lá vão uns quantos anos.
Neste lugar conheci amigos que, mesmo na virtualidade me conseguiram encher o coração.
Muitos foram os que chegaram sem avisar, e nem tantos os que saíram. Outros porém, permaneceram à porta, talvez por mau feitio meu.
Apesar do balanço ser positivo, dou comigo a pensar que não consigo; por uma questão de gestão do meu tempo, dar reciprocidade à interação que de uma forma muito carinhosa, recebo sempre que por aqui passo. 
Portanto, se não me virem nos próximos tempos, já sabem que é apenas cansaço, e que o apreço e consideração que tenho por todos continua inabalável.
É com muita gratidão que me dirijo a todos vós, que abrilhantaram os meus escritos durante os últimos anos, incentivando-me a escrevinhar as minhas emoções mais profundas, com o carinho da vossa leitura e da vossa presença.


Mas agora, só por um bocadinho, vou ali ver o que se passa lá fora...

Talvez um dia volte a voar com os pássaros...


(eu)

Imagem- Google



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Laços



Este não sei quê, sem nome sem lugar,
esta sensação de não ser vista,
este sentimento que me habita 
de não pertença, 
este não merecimento da terra 
ou da nascença, 
não serão motivo  para que desista.

Talvez não seja terrena a minha fortuna,
na veemência lasciva com que liberto a dor,
tornando fecundo  este pacto de amor...

Liberta estou do que me aprisionava,
sem saber porquê me emaranhava em laços,
que me despiam a carne e me prendiam os braços...


(eu)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

21 de Agosto de 2014


Para ti, hoje no teu dia e sempre, muitas Felicidades...
Parabéns por mais um ano de vida, em harmonia, saúde e comunhão de afectos. Nossos, muito nossos...!



Nasceste numa tarde de sol. E eu, muito pequenina, ainda só via o interior do útero materno. Mas o meu coração já pulsava por ti.
Vieste preparar o mundo para que não o estranhasse à chegada quando nascesse. E deixaste-me como sinal, uma passadeira florida de anos verdejantes, que percorri copiosamente em direcção à imensa estrela azul.
O mesmo ano nos acolheu e prometeu uma vida longa e plena, neste pedaço de terra fértil, onde hoje vemos amadurecer os frutos que plantámos com seiva cristalina de um amor que enalteceu todos os horizontes, como sopro de uma vida.
Demorámos dezanove anos para nos encontrarmos . Até que um dia, um flash luminoso nos cruzou os olhares e vimos a estrela prometida... há muitos, muitos, anos luz.
Tantos são já os dias azuis que se seguiram à expansão cósmica na escala do tempo da nossa consciência.
Será que ainda questionas o tamanho do meu amor?
É do tamanho de tudo o que existe, ou talvez do que não existe, mas que tu podes imaginar...quem sabe, do que tu nem sequer imaginas, ou talvez ainda um pouco maior: uma extensão da estrela azul no infinito do teu olhar...

Afinal sou tudo aquilo que sentes em mim...

Ou apenas: 

Sou-Te! 

Agora e sempre...



(eu)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Horas Desmarcadas



Eram 17:05 e não estavas lá...

Ceguei porque não te vi 
e segui com os olhos em linha recta 
os ríctus das máscaras que viajavam sonâmbulas
embaladas pelo som metálico dos carris.

Ensurdeci porque não te vi 
e permaneci em pé
sobre a plataforma móvel entre duas carruagens.
Os pés desalinhados buscavam os teus,
procuravam-te para que permanecesses.

A ausência do beijo às 17:05
o tempo sem tempo às 17:05 
todos os relógios me ignoraram sem pedir licença 
hoje, às 17:05....

Passei a língua pelos lábios que se mantinham entreabertos
e cristalizados por não conseguirem falar....
- passava pouco das 17:05-

Emudeci, porque não te vi
Atraiçoada por um amor que me fez diminuta 
viva num corpo desabitado de carícias quando eram 17:05,
em imagens que falharam quando tudo parecia perfeito
e me obrigaram a vestir este olhar de desgosto. 

Apenas porque hoje, nenhum relógio marcou 17:05




(eu)


Imagem- Frederico Erra