domingo, 25 de março de 2012

Palavras que Deixo




Inacreditável forma de vida
Desejo incontido de pintar palavras
Escritas ao inverso da minha razão.
Este é o outrossim da minha existência
O sangue pintado de vermelho vivo
Com que desenho toda a essência 
Deste corpo já sem voz.
Fui e já não sou...
Ou talvez ainda seja antes do ponto final.
Aquele que termina a retórica da vida
Depois de tantas interrogações,
Tantas exclamações...
Com que me esculpo em pedra dura
Esvaziando as veias de toda a substância
Sempre que o coração seca
E me pergunto:
Em que mundo estou eu agora?

(eu)

sábado, 24 de março de 2012

Citereia é o meu Nome





Porque me chamas Citereia
Sempre que a loucura
Te arrasta a meus pés?
Saboreia e escuta-me
Na divindade oculta
Do Poema declamado.
Sim! Sou Afrodite ardente
Que te faz ferver o sangue
No insano e tortuoso desejo
Com que anseias tocar-me.
Ergui-me da espuma das águas
Para que pudesses provar
Do verbo manifesto da paixão,
Que docemente fala de amor.
Da languidez pecaminosa do desejo
Sempre que propagas esses fogos
No idílio arremessado

Dos nossos corpos

(eu)

sábado, 17 de março de 2012

Revelação



Solta-se o grito
Vencido p'la luxúria
De todas as palavras
Nascidas da fertilidade
Exacerbada dos sentidos:
Porque o amor desgasta os corpos,
Enquanto ilumina o verbo.

Sendo assim...

Diz-me:
Porque depositas
No meu peito
Rosas vermelhas,
Nessa ânsia
Com que te revelas
Em cada noite
Que a lua te ilumina o olhar?
Adivinho-te meu amor,
Nas noites escuras,
Sinto o aroma
Com que me revestes a pele
Do mais profundo desejo
De toda a carne.
Diz-me:
Porque o luar
Te inspira o corpo
Nessa ânsia 
De me redescobrires
Nos lençóis da lua?
Diz-me!, porque preciso saber... 

(eu)

quinta-feira, 15 de março de 2012

O Sabor do Beijo



De olhos fechados,
Minhas mãos tateiam
Todas as avenidas do teu corpo.
Sinto o cheiro caramelizado do mel,
Pelo Sol que me sai por entre os dedos...

E o beijo... o beijo, sabe ao pólen
Sugado das flores,
Que bebes sofregamente do Santo Gral
Em que te ofereço a Primavera.

(eu)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sonho Vida



Sonhei-te!
Num sonho real construímos o tudo.
Demos as mãos!
E de mãos dadas conquistámos o mundo.

Foram sonhos de amor...
Onde vimos desabrochar pétalas,
E nascerem flores.

Formámos um jardim
Suspenso, encantado,
Onde o sol brilha dia e noite.
Inspira-se o cheiro das flores
Em notas musicais de rosa e jasmim.
Das flores exalam melodias,
Sinfonias cantadas de amor.
Primeiro desabrochou a rosa,
Viva, perfumada, apaixonada,
Irreverente...depois,
Com belas notas florais,
Sentimos o aroma do jasmim.
Esse que todos os dias,
Teima perfumar o jardim.
Ao sol de uma primavera quente,
Quase verão,
Desabrocharam duas camélias.
O aroma ficou mais intenso,
E o jardim mais colorido,
E o sol mais brilhante,
E o nosso sonho mais florido.
E nos jardins suspensos
Das nossas vidas,
Deixamos o aroma
De termos vivido...

(eu)